quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Qualquer Dia vou para Africa


Respira fundo e olha pelo vidro do carro.

Suspira e diz: - “qualquer dia vou para Africa”.
- Fazer o quê, filho?

- Sozinho, sem ninguém. E nunca mais volto.

- Sim, mas fazer o quê?
- Brincar com os meninos que não têm nada.

São pequeninas pérolas como esta que me fazem redobrar a paciência nos momentos em que o planeta terra cabe todo no seu umbigo de 4 anos e corre furioso pelos corredores da Toys R Us sem perceber que 40 “aeurios” por uma treta de plástico, ainda por cima anti-didática, é um exagero sem qualificação.

Também lhe dá para esquecer os males do mundo quando me informa:
- Vou para Londres.

- “Ok, filho”.
- “Tou a falar a sério. Vou falar francês, comer gomas e todos os mac-mac que eu quiser. Sem mãe nenhuma!”.

- “E a mãe fica cá, não vais ter saudades?”
- “Não. Ficas sozinha”.

Vou começar a poupar para um lar dos bons, tipo Mellos e assim. Espera-me o abandono, está visto.

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