Respira fundo e olha pelo vidro do carro.
Suspira e diz: - “qualquer
dia vou para Africa”.
- Fazer o quê, filho?- Sozinho, sem ninguém. E nunca mais volto.
- Sim, mas fazer o quê?
- Brincar com os meninos
que não têm nada.
São pequeninas pérolas como esta que me fazem redobrar a paciência nos momentos
em que o planeta terra cabe todo no seu umbigo de 4 anos e corre furioso pelos
corredores da Toys R Us sem perceber que 40 “aeurios” por uma treta de plástico,
ainda por cima anti-didática, é um exagero sem qualificação.
Também lhe dá para esquecer os males do mundo quando me informa:
- Vou para Londres.
- “Ok, filho”.
- “Tou a falar a sério. Vou falar francês, comer gomas e todos os mac-mac
que eu quiser. Sem mãe nenhuma!”.
- “E a mãe fica cá, não vais ter saudades?”
- “Não. Ficas sozinha”.
Vou começar a poupar para um lar dos bons, tipo Mellos e assim. Espera-me
o abandono, está visto.

